segunda-feira, setembro 18, 2006

Cagari cagaró

Acorreram, de varios pontos da traqueia, tribos aguerridas de gosmas para escaramucear em plena praça bocal a fim de se sufrar a elite de que o Zezito iria laboriosamente compor portentoso escarro.
Cinzelou com calma a sua obra, abeirou marginais as excrecencias, podando o núcleo duro e engatilhou a nuca para a catapultagem. Procurou com indiscreta avidez alvo digno e calhou o projéctil desabeirado a escorrer relutante e desfigurada da forma aerodinâmica pela goteira de ibisco a clara, que não de amnio, era liquido septiotico. Do septo, vá.
Abrandou a passada a demorar o olhar como que a procurar no objectou que trouxe à luz se era mesmo (d)a cara do pai.
Sobressaltou-o um
- Que nojo, seu porco, infame, faça isso na sua casa! – e tal.
O Ciroulas, com o seu olho de lince da Malcata – que não seria necessariamente melhor se não tivesse extinto – identificou lestamente o estafermo como uma daquelas velhas tipo, facilmente identificáveis pelo aspecto obeso, de blusas geralmente garridas, óculos amplos e grossos, e cabelo relativamente curto encabrestado com litradas de laca de côr e, tal como as vacas gostam da sua marrada desprevenida em larga lezíria, teem o recreio infatigável de se meterem nos transportes públicos pela únicas razoes de acotovelar indiscriminadamente as chusmas com o pretexto de haver por ali um lugar à sua espera; ou colocarem-se empecilhamente junto às saídas com medo de falhar a sua paragem, ainda que faltem pra mais de dez.
- Desculpe, minha senhora, mas ...
Começa o Zé a tentar apaziguar a crua ira geriatra defendendo-se alegando a naturalidade da coisa e assegurando uma idêntica integridade do bravo ibisco de estrada e longevidade das capacidades fotossintéticas da folha em questão. Mas a velha intercede intimidando com o indicador a fazer peito de falange ensopada de artrose em ares de como quem sonda prostatas ou inspecta ovos nas galinhas,
- você não se atreva a responder, uma vez que tenho idade para ser sua mãe, ouviu ? dê-se ao respeito.
E ele deu. Anuiu e prosseguiu.
Acontece ca puta devia ser vizinha do Zé – a não ser que, muito legitimamente, ele a tenha confundido com outro dos 500 clones do distrito – e cruzou-se ca megera a passear 2 ridiculas criaturas que, a passo de vacilações tantas, classificou-as por fim como cães já a uma distancia imbativel. Um era um canichezeco descabelado, um joazito kleber sem tintas, portanto , grisalho , e outro devia ser um porta-chaves marca branca, ainda assim castanho, olhos esbugalhados, com o corpito arqueado e uma cara de esforço a formar conscienciosamente um espiralado e borbulhante sundae de caramelo a tingir uma calçada portuguesa que, no entender do ridículo canídeo, com o olhar conivente do parceiro, pecava no excesso de alvura.
Ora, o velho Ze, vejam, na passada e prontamente, convocou as ancestrais gosmas refugiadas nos recôndituras do seu ser e la burilou uma menor mas não menos digna escarreta que martelou oportunamente para longe, raspando de lado na ainda fumegante e cremosa poia.
- Ah!... era em cima!..
E sorriu com todos os 23 dentes para a consternada velha buscando aprovação.
Ganda malha ó Zé.

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